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Alíquota zero para importar é arma no combate à inflação

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Data: 03-02-2010 9:26
 
Depois de anunciar a intenção de zerar a alíquota de importação para o etanol, com a intenção de segurar os preços no mercado interno, economistas já enxergam a prática como uma alternativa viável para o governo combater a inflação sem ter de aumentar a taxa básica de juros (Selic).

Segundo André Braz, economista do centro de análises da Fundação Getulio Vargas (FGV), outros produtos como o trigo devem seguir esta medida, uma vez que a compra tem um impacto muito grande no mercado interno. "A queda da oferta interna irá fazer com que o governo realize medidas para combater uma pressão inflacionária, o trigo pode ser um exemplo, uma vez que compramos muito da Argentina e, quando eles não nos vendem, por qualquer razão, temos de comprar de fora e sem os benefícios do Mercosul."

Braz completa ao dizer que "não identifico nenhum produto de imediato que seguirá a mesma linha (isenção de imposto), depende de como se dará a oferta interna dos produtos. Um corte fiscal diminui a margem de atuação do governo. Uma medida tem de ser aplicada em setores chave que passam por turbulências. Para conseguir efeitos rápidos, não é indicado usar a política fiscal."

"Não temos nenhuma outra indicação do governo. Não temos preços altos para commodities, mas acho que aconteceria em manufaturados - produtos com maior valor agregado, como têxteis", completou o economista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

O anúncio do secretário de Petróleo, Gás e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antônio Martins Almeida, feito na última quinta-feira, de que o governo está favorável à ideia de zerar a alíquota de importação do etanol norte-americano, que hoje está em 20%, é um meio de conter a inflação no País afirmam especialistas, caso seu real propósito chegue ao consumidor final. "A Camex (Câmara de Comércio Exterior) deve aprovar (a medida)", disse o secretário. O assunto deverá ser tratado na próxima reunião da Camex, marcada para o dia 9 de fevereiro.

"A medida pode servir como uma contribuição para a pressão inflacionária, uma vez que o etanol está com o consumo elevado - o que já aumenta a inflação -, a oferta mundial está menor e a entresafra - pelas mudanças climáticas - deverá ser mais rigorosa. Outro fator importante que devemos prestar atenção é na contribuição da gasolina na inflação, para cada ponto percentual de aumento no preço do combustível, temos 0,04% a mais no índice geral de inflação, com isso, a isenção do imposto de importação fará com que o peso da gasolina no índice diminua", explicou.

Na opinião de Wjuniski, o produto importado entra com o preço mais barato, o que provoca um impacto automático. "O produto entra com um valor diferente do mercado internacional, o que teoricamente diminui o preço, mas no processo nem todo o ganho do imposto é repassado ao consumidor, o atacado pode segurar o preço e ganhar mais, o que não teria um impacto muito grande com a medida", relatou.

Wjuniski completou ao afirmar que "a medida é um meio legítimo de combater a inflação, para o comércio, o ideal é ter uma alíquota correta no mercado internacional, com foco na quantidade e não de olho no preço. Se essas medidas não causam impactos no comércio são legitimas, mas se distorcer o objetivo ela tem impacto negativo no mercado interno."
 
 
 
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